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EDACS: entenda os 5 níveis da alimentação e deglutição na paralisia cerebral

Alimentar-se vai muito além de levar a comida à boca.

Para que uma refeição aconteça com segurança, é necessário coordenar mastigação, deglutição, respiração, postura e controle dos movimentos da boca e da língua.

Em crianças com paralisia cerebral, essas habilidades podem estar comprometidas em diferentes graus.

Por isso, foi desenvolvido o EDACS (Eating and Drinking Ability Classification System), um sistema que classifica como a criança come e bebe no dia a dia.

O EDACS descreve a alimentação considerando principalmente segurança, eficiência e o nível de assistência necessário durante as refeições. (sussexcommunity.nhs.uk)

O que é o EDACS?

O EDACS é um sistema de classificação funcional criado para crianças e adolescentes com paralisia cerebral.

Seu objetivo é descrever como acontece a alimentação habitual da criança, considerando situações reais do cotidiano.

A classificação observa principalmente:

  • segurança ao comer e beber;

  • risco de aspiração;

  • risco de engasgos;

  • eficiência durante as refeições;

  • necessidade de ajuda;

  • uso de adaptações ou equipamentos.

Assim como outros sistemas funcionais, o EDACS não é um teste e não substitui avaliações clínicas da deglutição.

Ele organiza a funcionalidade em cinco níveis, do I ao V.

O que o EDACS avalia?

O sistema considera três aspectos principais.

Segurança

Refere-se à capacidade de comer e beber sem que alimentos ou líquidos entrem nas vias respiratórias.

Também observa a presença de:

  • tosse durante as refeições;

  • engasgos;

  • aspiração;

  • dificuldade para proteger as vias aéreas.

 

Eficiência

Nem sempre uma refeição insegura é o único problema.

Algumas crianças conseguem comer com segurança, mas apresentam dificuldades como:

  • refeições muito demoradas;

  • fadiga;

  • perda de alimentos pela boca;

  • dificuldade para mastigar;

  • dificuldade para terminar a refeição.

Esses fatores também fazem parte da classificação.

Assistência necessária

O EDACS também registra quanto apoio a criança precisa durante a alimentação.

Ela pode:

  • alimentar-se sozinha;

  • precisar de ajuda parcial;

  • depender totalmente de outra pessoa.

O EDACS é uma avaliação da deglutição?

Não.

São sistemas de classificação funcional.

Eles não exigem tarefas padronizadas nem uma pontuação baseada no número de objetos manipulados.

A classificação é feita a partir da observação do desempenho habitual da criança e das informações fornecidas por pessoas que conhecem bem sua rotina.

Também não substituem uma avaliação de Terapia Ocupacional.

EDACS nível I

A criança come e bebe de forma segura e eficiente.

Ela consegue ingerir alimentos e líquidos sem apresentar riscos importantes e realiza as refeições em tempo adequado.

Normalmente:

  • mastiga diferentes consistências;

  • engole com segurança;

  • termina a refeição sem dificuldade significativa;

  • alimenta-se com independência.

EDACS nível II

A criança come e bebe com segurança, porém apresenta algumas limitações de eficiência.

As refeições podem:

  • demorar mais;

  • exigir maior esforço;

  • apresentar pequenas perdas de alimento;

  • causar maior fadiga.

Mesmo assim, a alimentação continua sendo considerada segura.

EDACS nível III

A criança apresenta algumas limitações de segurança e eficiência.

Pode haver:

  • dificuldade para mastigar alimentos sólidos;

  • necessidade de modificar algumas consistências;

  • episódios ocasionais de engasgo;

  • maior risco durante determinadas refeições.

Apesar disso, ainda consegue realizar alimentação por via oral.

Esse nível exige acompanhamento cuidadoso da equipe responsável.

EDACS nível IV

No nível IV, existem limitações importantes de segurança.

A alimentação por via oral pode acontecer apenas com adaptações importantes.

Frequentemente são necessários:

  • alimentos amassados;

  • purês;

  • líquidos modificados;

  • supervisão constante;

  • estratégias específicas de alimentação.

O risco de aspiração torna-se significativamente maior.

EDACS nível V

No nível V, a criança não consegue alimentar-se de forma segura por via oral.

Existe alto risco de aspiração e a nutrição costuma depender parcial ou totalmente de alimentação por sonda.

Em alguns casos, pequenas experiências orais podem fazer parte do plano terapêutico, mas sempre com indicação e acompanhamento especializado.

O que significam os níveis de assistência?

Além do nível funcional, o EDACS registra quanto apoio a criança necessita durante a alimentação.

Independente

Leva alimentos e bebidas até a boca sem ajuda.

Requer assistência

Necessita de ajuda parcial.

Pode utilizar utensílios adaptados ou precisar que outra pessoa auxilie parte da refeição.

Totalmente dependente

Outra pessoa realiza toda a alimentação.

A criança não consegue levar os alimentos à boca de forma funcional.

O EDACS avalia apenas a mastigação?

Não.

Embora mastigar seja importante, o EDACS considera toda a refeição.

São observados fatores como:

  • postura;

  • controle de cabeça;

  • coordenação entre respiração e deglutição;

  • capacidade de mastigar;

  • segurança para engolir;

  • tempo da refeição;

  • necessidade de adaptações;

  • quantidade de ajuda recebida.

O nível do EDACS pode mudar?

Sim.

Diferentemente de outros sistemas de classificação, o desempenho alimentar pode mudar conforme a criança cresce, desenvolve novas habilidades ou recebe intervenções específicas.

Mudanças também podem ocorrer devido a:

  • evolução clínica;

  • alterações musculares;

  • cirurgias;

  • mudanças nutricionais;

  • introdução de utensílios adaptados;

  • adaptações das consistências dos alimentos;

  • intervenções fonoaudiológicas.

Por isso, a classificação deve ser revista periodicamente.

Permanecer no mesmo nível significa não evoluir?

Não.

Uma criança pode permanecer no mesmo nível e apresentar ganhos importantes.

Por exemplo:

  • refeições mais rápidas;

  • menor fadiga;

  • maior conforto;

  • melhor postura;

  • uso mais eficiente dos talheres;

  • redução dos episódios de tosse;

  • maior independência durante as refeições.

Esses avanços nem sempre modificam a classificação, mas representam melhorias importantes para a qualidade de vida.

O EDACS mede o resultado da terapia?

Não isoladamente.

O EDACS descreve a funcionalidade geral da alimentação.

Para acompanhar a evolução clínica, a equipe também utiliza:

  • avaliação fonoaudiológica;

  • avaliação nutricional;

  • observação das refeições;

  • exames instrumentais quando indicados;

  • objetivos funcionais;

  • relatos da família.

O EDACS complementa essas informações, mas não substitui avaliações específicas.

Por que conhecer o EDACS é importante?

O EDACS ajuda profissionais e famílias a:

  • compreender o nível atual da alimentação;

  • identificar riscos durante as refeições;

  • orientar adaptações;

  • definir objetivos terapêuticos;

  • planejar estratégias de alimentação segura;

  • facilitar a comunicação entre os profissionais;

  • acompanhar mudanças ao longo do desenvolvimento.

Além disso, fornece uma linguagem comum entre fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, médicos e nutricionistas.

O EDACS determina qual alimento a criança pode comer?

Não.

A classificação não substitui a avaliação individualizada.

Duas crianças classificadas no mesmo nível podem apresentar necessidades muito diferentes.

A definição da consistência dos alimentos, do posicionamento, dos utensílios e das estratégias de alimentação deve ser feita pela equipe responsável, considerando as características específicas de cada criança.

Classificar não é limitar

O EDACS não determina o potencial da criança nem define sua qualidade de vida.

Ele apenas descreve como acontece sua alimentação atualmente.

Mesmo crianças classificadas em níveis mais elevados podem apresentar evolução importante quando recebem acompanhamento adequado, adaptações individualizadas e orientação para a família.

O objetivo da classificação é aumentar a segurança, favorecer a participação e melhorar a qualidade das refeições.

Avaliação da alimentação na Habilistar

Na Habilistar, avaliamos a alimentação considerando segurança, eficiência, autonomia e participação da criança durante as refeições.

O EDACS pode ser utilizado em conjunto com avaliações fonoaudiológicas e funcionais para compreender as necessidades individuais e orientar o plano terapêutico.

Entre em contato com nossa equipe para saber mais sobre a avaliação da alimentação e da deglutição em crianças com paralisia cerebral.

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