Segurar um copo, utilizar talheres, brincar com blocos, abrir uma embalagem e manipular materiais escolares são atividades que exigem o uso funcional das mãos.
Em crianças com paralisia cerebral, essas tarefas podem ser realizadas com diferentes níveis de independência, velocidade, precisão e necessidade de apoio.
O MACS, Sistema de Classificação da Habilidade Manual, descreve como crianças e adolescentes com paralisia cerebral utilizam as mãos para manipular objetos nas atividades do cotidiano.
Para crianças menores, existe o Mini-MACS, desenvolvido para a primeira infância.
Ambos classificam a habilidade manual em cinco níveis, do I ao V.
O que é o MACS?
O MACS descreve como a criança ou o adolescente manipula objetos relevantes no dia a dia.
Ele considera atividades realizadas em casa, na escola e na comunidade, como:
brincar;
alimentar-se;
vestir-se;
utilizar lápis e tesoura;
abrir recipientes;
carregar objetos;
organizar materiais;
utilizar dispositivos eletrônicos.
A classificação considera o desempenho habitual, e não apenas a melhor habilidade demonstrada em uma sessão terapêutica.
O foco está em duas perguntas:
Como a criança manipula os objetos normalmente?
Quanto apoio ou adaptação ela precisa para realizar as atividades?

Qual é a diferença entre MACS e Mini-MACS?
Os dois sistemas classificam a mesma área: a habilidade manual.
A principal diferença está na faixa etária.
MACS: utilizado para crianças e adolescentes de 4 a 18 anos.
Mini-MACS: utilizado para crianças de 1 a 4 anos.
O Mini-MACS considera as atividades e os objetos comuns à primeira infância, além do nível de ajuda esperado para essa faixa etária.
Uma criança pequena naturalmente precisa de mais apoio do que uma criança maior. Por isso, sua classificação deve considerar o desempenho de outras crianças da mesma idade.
MACS e Mini-MACS são testes?
Não.
São sistemas de classificação funcional.
Eles não exigem tarefas padronizadas nem uma pontuação baseada no número de objetos manipulados.
A classificação é feita a partir da observação do desempenho habitual da criança e das informações fornecidas por pessoas que conhecem bem sua rotina.
Também não substituem uma avaliação de Terapia Ocupacional.
O que esses sistemas não avaliam?
MACS e Mini-MACS não determinam:
a causa da dificuldade manual;
a força isolada das mãos;
a amplitude de movimento;
a qualidade de uma única preensão;
a capacidade máxima da criança;
seu potencial de evolução;
sua inteligência;
o resultado de um tratamento.
Eles descrevem como a criança utiliza as mãos no cotidiano naquele momento.
MACS e Mini-MACS nível I
No nível I, a criança manipula objetos com facilidade e sucesso.
Ela costuma realizar atividades manuais de forma independente.
Pode apresentar alguma dificuldade em tarefas que exigem muita velocidade, precisão ou coordenação, mas essas limitações geralmente não interferem na participação cotidiana.
No Mini-MACS, a criança pode precisar de um pouco mais de tempo ou orientação do que outras da mesma idade, mas ainda consegue manipular os objetos com sucesso.
MACS e Mini-MACS nível II
No nível II, a criança manipula a maioria dos objetos, mas com menor qualidade ou velocidade.
Ela pode:
realizar as tarefas mais lentamente;
utilizar formas alternativas de manipulação;
evitar atividades muito complexas;
apresentar menor precisão;
precisar de mais tempo para concluir a tarefa.
As limitações geralmente não impedem sua independência nas atividades diárias.
No Mini-MACS, pode ser necessário oferecer mais orientação e oportunidades de prática.
MACS e Mini-MACS nível III
No nível III, a criança manipula objetos com dificuldade e necessita de ajuda para preparar ou modificar algumas atividades.
Ela pode conseguir realizar parte das tarefas quando:
os objetos são posicionados de maneira adequada;
a atividade é organizada previamente;
os materiais são adaptados;
recebe ajuda para iniciar ou concluir;
dispõe de mais tempo.
O desempenho é lento e apresenta variações em relação à qualidade e à quantidade de objetos manipulados.
No Mini-MACS, a criança frequentemente precisa do apoio de um adulto para manipular objetos do cotidiano.
MACS e Mini-MACS nível IV
No nível IV, a criança manipula uma variedade limitada de objetos simples e adaptados.
Consegue realizar apenas parte de algumas atividades e necessita de apoio contínuo.
Pode participar quando:
o objeto está bem posicionado;
a tarefa possui poucas etapas;
o material é adaptado;
recebe assistência frequente;
dispõe de bastante tempo.
Mesmo com ajuda, a criança costuma realizar somente uma parte da atividade.
MACS e Mini-MACS nível V
No nível V, a criança apresenta habilidade severamente limitada para manipular objetos.
Ela não consegue realizar ações manuais simples de forma funcional e necessita de assistência total.
Entretanto, pode participar de algumas atividades por meio de movimentos simples, como:
tocar;
empurrar;
apertar;
segurar brevemente;
acionar um dispositivo adaptado.
A classificação no nível V não significa que a criança não possa participar. Significa que precisa de apoio amplo e de recursos individualizados.
Qual é a diferença entre os níveis I e II?
Nos dois níveis, a criança manipula a maioria dos objetos e costuma realizar as atividades com independência.
No nível I, o desempenho é mais fácil, eficiente e preciso.
No nível II, a criança pode demorar mais, apresentar menor qualidade no movimento ou utilizar estratégias alternativas.
A principal diferença está na velocidade, na precisão e na qualidade do desempenho.
Qual é a diferença entre os níveis II e III?
No nível II, a criança geralmente consegue realizar as atividades sem ajuda.
No nível III, precisa que outra pessoa prepare ou modifique a tarefa.
Por exemplo, pode necessitar que os objetos sejam posicionados, que uma embalagem seja aberta ou que os materiais sejam adaptados antes de começar.
Qual é a diferença entre os níveis III e IV?
No nível III, a criança consegue manipular diversos objetos quando a atividade é organizada ou adaptada.
No nível IV, manipula apenas uma variedade limitada de objetos simples e participa de partes da tarefa.
Além disso, costuma precisar de assistência contínua.
Qual é a diferença entre os níveis IV e V?
No nível IV, a criança consegue realizar algumas ações manuais e participar parcialmente das atividades.
No nível V, a manipulação funcional é muito limitada, mesmo com adaptações.
Ainda assim, movimentos simples podem ser utilizados para favorecer escolhas, brincadeiras e interação com o ambiente.
O MACS classifica cada mão separadamente?
Não.
O MACS descreve o desempenho manual global durante as atividades.
Ele considera como a criança utiliza as duas mãos em conjunto, mesmo quando existe uma diferença importante entre elas.
Para analisar separadamente a função de cada membro superior, são necessários outros instrumentos e avaliações clínicas.
O uso das duas mãos influencia a classificação?
Sim.
Muitas atividades exigem que uma mão estabilize o objeto enquanto a outra realiza a ação.
Isso acontece ao:
abrir recipientes;
recortar;
vestir-se;
segurar um prato;
utilizar brinquedos;
manipular materiais escolares.
A classificação considera como a criança organiza o uso das mãos para concluir essas tarefas.
Quem pode determinar o nível?
A classificação deve considerar informações de pessoas que conheçam bem a rotina da criança, como:
familiares;
cuidadores;
terapeutas;
professores.
A família tem papel importante porque observa o desempenho em atividades reais, realizadas em diferentes momentos do dia.
Os profissionais podem complementar essas informações por meio da observação clínica e funcional.
O nível pode mudar?
MACS e Mini-MACS descrevem o desempenho habitual atual.
A classificação tende a apresentar estabilidade, mas pode ser revista quando houver mudanças importantes na forma como a criança manipula objetos.
Essas mudanças podem estar relacionadas a:
crescimento e desenvolvimento;
aquisição de novas habilidades;
acesso a equipamentos adaptados;
mudanças na rotina;
cirurgias;
intervenções terapêuticas;
alterações nas demandas das atividades.
Na transição do Mini-MACS para o MACS, também é necessária uma nova análise, pois as tarefas e expectativas mudam conforme a idade.
Permanecer no mesmo nível significa não evoluir?
Não.
A criança pode continuar no mesmo nível e apresentar ganhos importantes, como:
realizar a tarefa mais rapidamente;
utilizar as duas mãos com maior coordenação;
manipular novos objetos;
precisar de menos ajuda;
alimentar-se com mais independência;
participar melhor das atividades escolares;
utilizar recursos adaptados de forma mais eficiente.
Os níveis representam categorias amplas e não registram todas as mudanças funcionais.
O MACS mede o resultado da terapia?
Não deve ser utilizado isoladamente para medir a evolução terapêutica.
Para acompanhar mudanças específicas, a equipe pode utilizar:
avaliações padronizadas;
observação funcional;
análise da coordenação bilateral;
testes de destreza;
metas individualizadas;
registros da família e da escola;
avaliação da autonomia nas atividades diárias.
O MACS ajuda a descrever a habilidade manual geral, enquanto outros instrumentos identificam ganhos mais detalhados.
Por que conhecer o nível é importante?
Conhecer o nível do MACS ou Mini-MACS pode ajudar a:
compreender o desempenho manual da criança;
identificar a necessidade de ajuda;
escolher adaptações;
planejar objetivos terapêuticos;
orientar a família e a escola;
facilitar a comunicação entre profissionais;
ampliar a autonomia;
favorecer a participação nas atividades.
A classificação ajuda a direcionar o olhar para aquilo que a criança realiza no cotidiano e para os apoios que podem facilitar sua participação.
Classificar não é limitar
O nível do MACS não determina tudo o que a criança poderá aprender.
Duas crianças classificadas no mesmo nível podem apresentar habilidades, dificuldades e objetivos muito diferentes.
Por isso, a classificação deve ser interpretada junto com:
avaliação de Terapia Ocupacional;
rotina familiar;
demandas escolares;
interesses da criança;
recursos disponíveis;
objetivos funcionais;
prioridades da família.
O foco não deve ser apenas mudar de nível, mas permitir que a criança participe das atividades com mais autonomia, conforto e confiança.
Avaliação da habilidade manual na Habilistar
Na Habilistar, a avaliação considera como a criança utiliza as mãos para brincar, alimentar-se, vestir-se, manipular materiais e participar das atividades escolares.
O MACS ou o Mini-MACS pode ser utilizado junto a outros instrumentos para compreender a habilidade manual e orientar estratégias individualizadas.
Entre em contato com nossa equipe para saber mais sobre a avaliação funcional e o acompanhamento de crianças com paralisia cerebral.


